Bebê indígena de origem venezuelana morre de desnutrição em Betim
29/05/2026
(Foto: Reprodução) Bebê indígena, da etnia Warao, morre vítima de desnutrição
Uma criança indígena da etnia venezuelana Warao, de 1 ano e 4 meses, que vivia em um acampamento em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, morreu nesta quinta-feira (28) vítima de um quadro grave de desnutrição. Camila Rátia estava internada no Centro Materno Infantil de Betim desde a última segunda-feira (25).
Segundo a prefeitura, a criança deu entrada na unidade hospitalar com quadro clínico grave de desidratação e desnutrição crônica.
"Os médicos falavam que o estado dela já era grave, já era crítico. E, ontem [28], por volta das 14h, o hospital me ligou para comparecer lá com o pai. Quando eu cheguei ao hospital por volta das 16h, o médico me informou que Camila teve no dia anterior dez paradas cardíacas, e ontem ela já havia tido mais duas. [...] Ela estava bem fraca", disse a empresária Flávia Gomes, voluntária na comunidade.
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Camila nasceu em Itabuna, na Bahia, em janeiro de 2025. Os pais são indígenas refugiados da Venezuela e haviam se mudado com a bebê e outros seis filhos para o acampamento em Betim há aproximadamente um mês.
Cerca de 70 famílias da etnia Warao vivem no local, em barracas de madeira e lona. Outras mortes já foram registradas na ocupação.
"A gente tem em torno de cinco crianças com um quadro de desnutrição moderado a grave. No geral, a alimentação deles é muito inadequada, porque eles têm restrição de acesso aos bens de consumo, além das diferenças culturais. [...] Eles atravessam um período de adaptação, em que precisam tanto ter acesso ao alimento quanto aprender a incorporar os alimentos que a gente usa aqui", afirmou o médico pediatra voluntário Cícero Augusto Araújo.
Camila Rátia, criança indígena da etnia Warao que vivia em acampamento em Betim
TV Globo/ Reprodução
'Vulnerabilidade extrema'
A 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde de Betim, do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), instaurou procedimento administrativo para acompanhar as ações de saúde destinadas à comunidade indígena Warao.
A promotoria expediu uma recomendação à Prefeitura de Betim solicitando a implementação de medidas emergenciais, como intensificação de ações de vacinação, designação de equipe contínua de atenção primária e saúde da família para atuação no local, realização de visitas domiciliares periódicas e monitoramento de situações de risco nutricional.
Segundo o MPMG, também foram encaminhadas demandas à Vigilância Sanitária, à Assistência Social e à Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos, "diante das condições precárias verificadas na ocupação, incluindo ausência de saneamento básico, acúmulo de resíduos, insegurança alimentar e elevado risco sanitário".
Além disso, a promotoria acionou outros órgãos para atuação no acampamento, "considerando que a situação envolve não apenas questões de saúde pública, mas também direitos indígenas, migração, assistência social, habitação e vulnerabilidade extrema".
Ocupação de famílias indígenas da etnia Warao em Betim
TV Globo/ Reprodução
O que diz a Prefeitura de Betim
Em nota, a Prefeitura de Betim lamentou a morte de Camila Rátia e afirmou que "o caso está inserido em um contexto de elevada vulnerabilidade social e sanitária enfrentado por parte da população indígena Warao residente na ocupação".
O município disse que mantém acompanhamento permanente da comunidade por meio da Atenção Primária à Saúde, com visitas quinzenais, e que a criança "ainda não havia sido identificada e vinculada pela equipe". Atualmente, 244 indígenas Warao possuem cadastro ativo na rede municipal de saúde.
"O atendimento a essa população apresenta desafios significativos, entre eles a constante mobilidade das famílias, a chegada frequente de novos grupos em situação de extrema vulnerabilidade, além de barreiras culturais e linguísticas que impactam o processo de identificação, vinculação e acompanhamento assistencial", afirmou a prefeitura.
O Executivo destacou, ainda, que está instituindo um comitê intersetorial para avaliar o caso, identificar possíveis fragilidades nos fluxos de atendimento e fortalecer as ações integradas para promoção da saúde, proteção social e garantia de direitos dos indígenas.
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